Só você...

               
Ela queria a cor dos olhos dele na cama. Queria o sotaque bom dele nos beijos. Queria ser poeta pra entender os versos que haviam no corpo dele. Queria ser a nuvenzinha que choraria junto com ele quando quebrasse um braço ou simplesmente ficasse triste porque semana que vem era dia de finados. Passava horas de frente a prancheta arriscando tons, deflagrando a cena em traços carregados de saudade e desejo. Cada tinta, cada risco trazia aos teus olhos o ato final do desejo ou se preferir o começo de uma vida tão querida. Ela despejava ali a sua solidão, a falta imensa que ele fazia. E quando a noite já encobria a luz do enfadonho e cruciante dia, ao rubricar sua assinatura se apropriando da sua dor, escapole todas as lágrimas daquele mais puro amor.

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